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Boletim de Geociências da Petrobras

Publicação:JUN /2014

Volume:22

Número:1

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Expediente, Apresentação, Editorial e Sumário

A evolução do conhecimento geológico das bacias terrestres brasileiras se confunde com a história da exploração de petróleo no Brasil. A partir das primeiras descobertas feitas pelo Conselho Nacional do Petróleo (CNP), na Bacia do Recôncavo, nos anos 1930 e 1940, e das campanhas exploratórias realizadas nas bacias paleozoicas do Amazonas e Paraná, realizadas entre os anos 1940 e 1960, seguiram-se campanhas de perfuração de poços em praticamente todas as bacias continentais brasileiras. As décadas de 1960 e 1970 testemunharam novas e importantes descobertas, então nas bacias de Sergipe, Alagoas, Potiguar, Espírito Santo e Solimões. Em função do monopólio de exploração e produção vigente àquela época, todos os dados das bacias brasileiras eram adquiridos e tratados exclusivamente pela Petrobras, e com eles veio o rápido desenvolvimento, principalmente dentro da Empresa, de uma forte cultura geológica das nossas bacias. O sucesso exploratório obtido nas bacias terrestres garantiu o fôlego financeiro necessário ao inevitável mergulho em busca de novas jazidas nas bacias marítimas, além de um sólido conhecimento geológico para dar suporte à exploração da plataforma continental e das águas profundas da margem brasileira. A partir daí, nos anos 1970 e 1980, as atenções da comunidade geológica se voltaram para o mundo das águas profundas, onde grandes volumes de petróleo foram descobertos em depósitos marinhos profundos da Bacia de Campos. Tinha início a “Era de Ouro” dos turbiditos de água profunda, que anos mais tarde pavimentaria o caminho rumo à sonhada autossuficiência em petróleo.


Autores: Otaviano da Cruz Pessoa Neto

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Sequências deposicionais do Andar Alagoas da Bacia do Araripe, Nordeste do Brasil

A Bacia do Araripe é composta por unidades estratigráficas associadas à fragmentação de Gondwana e abertura do Atlântico Sul. O registro do Andar Alagoas (Aptiano superior – Albiano inferior) é a megassequência pós-rifte da bacia, que litoestratigraficamente corresponde ao Grupo Santana, constituído, da base para o topo, pelas formações Barbalha, Crato, Ipubi e Romualdo. Duas desconformidades internas permitiram a subdivisão do registro estratigráfico do Andar Alagoas em três sequências deposicionais. A sequência inferior, pertencente à parte inferior da Formação Barbalha, apresenta sucessão vertical de fácies de canais fluviais que se encerram com a deposição de pelitos lacustres, os quais apresentam grande continuidade lateral e espessuras reduzidas de no máximo 10m. A sequência intermediária inicia com níveis delgados de conglomerado, sobrepostos por arenitos com intercalações de pelitos, pertencentes à porção superior da Formação Barbalha. Estas fácies, organizadas em ciclos fluviais, dão lugar a folhelhos cinza escuros/esverdeados e a calcários laminados de origem lacustre da Formação Crato, numa sucessão vertical de fácies atribuída a trato de sistemas transgressivo. A sucessão mista da Formação Crato, caracterizada pela alternância de bancos de calcários laminados e de fácies siliciclásticas, correspondente a trato de sistemas de nível alto, que termina com a deposição dos evaporitos (gipsita/anidrita) da Formação Ipubi em condições de extrema aridez. A sequência superior, que correspondente litoestratigraficamente à Formação Romualdo, é constituída por arenitos costeiros em sua porção inferior, podendo estar presentes, nas porções proximais da bacia, delgadas camadas de conglomerado e arenito conglomerático sobre a desconformidade basal. O empilhamento é de caráter transgressivo, com onlap costeiro de sudeste para noroeste e deposição de fácies marinhas diretamente sobre o embasamento a oeste e noroeste. Camadas delgadas de coquina e calcário coquinoide recobrem a seção de folhelhos marinhos, onde se encontram níveis com concreções fossilíferas. Arenitos regressivos depositados em sistemas costeiros com influência de marés completam a sequência, constituindo trato de nível de mar alto e registrando o retorno das condições continentais à bacia. O topo do Andar Alagoas na bacia é uma discordância erosiva regional, sobre a qual jazem fácies fluviais mesocretáceas do Grupo Araripe (formações Araripina e Exu).


Autores: Mario Luis Assine, José Alexandre de Jesus Perinotto, Michele Andriolli Custódio, Virgínio Henrique Neumann, Filipe Giovanini Varejão, Patricia Colombo Mescolotti

Palavras-chave

Andar Alagoas, Aptiano, Bacia do Araripe, Grupo Santana

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Modelagem estratigráfica do intervalo Cenomaniano-Turoniano, formações Açu e Jandaíra, na borda sudoeste da Bacia Potiguar

Nesta pesquisa, empregou-se a modelagem estratigráfica para caracterizar a passagem da sucessão siliciclástica da Formação Açu para o sistema carbonático da Formação Jandaíra na borda sudoeste da Bacia Potiguar emersa. Para alcançar o objetivo proposto, foram identificadas cinco superfícies estratigráficas-chave, sendo três limites de sequências (LS1, LS2 e LS3) e duas superfícies de inundações máximas (SIM1 e SIM2), constituindo duas sequências deposicionais de terceira ordem: sequência 1 (inferior) e sequência 2 (superior). As simulações, utilizando-se o software Dionisos®, foram calibradas aos perfis litológicos e aos perfis de raios-gama de nove poços. O trato de sistemas transgressivo da sequência 1 foi depositado entre 95 Ma (LS1) e 93,6 Ma (SIM1) e é constituído por siliciclásticos. O trato de sistemas de mar alto da mesma sequência, depositado entre 93,6 Ma (SIM1) e 92,8 Ma (LS2), se caracteriza por sedimentação siliciclástica até 93 Ma. A partir desta idade, iniciasse a sedimentação carbonática, favorecida por uma conspícua redução do aporte siliciclástico, relacionada a uma variação climática ou supostamente a uma interação entre tectônica e clima. O trato de sistemas transgressivos da sequência 2, depositado entre 92,8 Ma (LS2) e 92 Ma (SIM2), constitui uma sedimentação mista, com predomínio de rochas carbonáticas. O trato de sistemas de mar alto, depositado entre 92 Ma (SIM2) e 91 Ma (LS3), é constituído por carbonatos, com aporte intermitente de sedimentos siliciclásticos. Os sedimentos terrígenos foram depositados em baixa taxa de sedimentação, da ordem de 40 m/Ma, até 93 Ma. Após este período, a taxa de deposição siliciclástica variou entre 0 m/Ma e 10 m/Ma, enquanto a sedimentação carbonática se desenvolveu, a partir de 93 Ma, a uma taxa média de 38 m/Ma. As descargas fluviais na modelagem da sequência 1 correspondem a um fluxo constante, da ordem de 520m3/s, enquanto na sequência 2 se alternam entre 150m3/s e 1.100m3/s. As descargas elevadas seriam decorrentes de chuvas torrenciais, esporádicas, que normalmente ocorrem em climas áridos, condição climática interpretada na deposição dessa sequência. Estes resultados corroboram as interpretações para este período na Bacia Potiguar, concluindo-se que esta metodologia vem a ser uma importante ferramenta para construir um modelo dinâmico de fácies em áreas de fronteira exploratória.


Autores: Gustavo Garcia, Mario Luis Assine, Ubiraci Manoel Soares

Palavras-chave

Modelagem estratigráfica, Formação Açu, Formação Jandaíra, carbonato, siliciclástico, sequência deposicional, Bacia Potiguar

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Caracterização multiescalar de reservatórios carbonáticos análogos em afloramentos da Bacia de Sergipe-Alagoas, NE do Brasil

Afloramentos em rochas carbonáticas e híbridas na Bacia Sergipe-Alagoas vêm sendo estudados no âmbito do Projeto de “Caracterização Multiescalar em Reservatórios Carbonáticos Análogos da Bacia Sergipe-Alagoas”/(Camures-Carbonato), com vistas à aplicação na construção de modelos 3D de reservatórios potencialmente análogos em subsuperfície. A caracterização multiescalar de afloramentos consiste na integração de dados provenientes desde a mega/macroescala até a microescala, coletados em toda a extensão vertical e lateral do afloramento com o objetivo de entender a distribuição espacial das heterogeneidades e os processos sedimentares e diagenéticos controladores das mesmas. O afloramento escolhido para primeiramente representar esta abordagem metodológica foi a Pedreira Carapeba, caracterizada por intercalações de depósitos de calcarenitos e calcilutitos, localmente dolomitizados, pertencentes ao Membro Maruim da Formação Riachuelo. Os dados coletados para a confecção deste trabalho consistiram em descrições e amostragens de 19 perfis litofaciológicos, acompanhados de perfis de raios gama e lâminas delgadas de intervalos de interesse, dados de imageamento 3D e GPR. A integração dos estudos de afloramento com os desenvolvidos em lâminas permitiu o reconhecimento de sete sublitofácies, agrupadas em quatro conjuntos de litofácies: dolomitos, wackstones e packstones parcialmente dolomitizados, grainstones com cimento de calcita espática e microespática, e rochas híbridas. As mesmas são interpretadas como depositadas em um modelo de rampa carbonática, com leve gradiente deposicional. A dolomitização é o processo diagenético mais relevante no contexto analisado na Pedreira Carapeba. O modelo diagenético de dolomitização considerado é o de mistura de águas (Dorag), fortemente controlado por influxos de fluidos meteóricos e variações do nível do mar. A análise estratigráfica da Pedreira Carapeba permitiu a definição de sete ciclos transgressivos-regressivos de quinta ordem, com os ciclos transgressivos marcados pela presença de fácies de características mais marinhas (em ambiente de rampa intermediária a externa), com predomínio de litofácies do tipo grain-packstone, com forte componente oolitica/peloidal e bioclástica (diversificada), representando a implantação e posterior progradação de depósitos de barras arenosas (shoalsands) sobre depósitos de laguna. O produto atual da caracterização multiescalar do afloramento Pedreira Carapeba consiste na modelagem geológica 3D de litofácies de reservatórios carbonáticos e mistos, direcionada à integração com a simulação de fluxo.


Autores: Antônio Jorge Vasconcellos Garcia, Filipa Cunha Pereira, Wendel Barbosa Araújo, Liana Matos Rocha, Daniela Dantas de Menezes Ribeiro, Flávia Pereira Moura Leal, Gleidson Lima Correia

Palavras-chave

caracterização multiescalar, reservatórios análogos, Bacia de Sergipe-Alagoas, rochas carbonáticas

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Formação Karapotó – uma nova unidade estratigráfica paleozoica na Bacia de Sergipe-Alagoas

A partir de trabalhos de campo realizados no Domo de Igreja Nova, porção central da Bacia de Sergipe-Alagoas, foi individualizada uma nova seção sedimentar basal, em contato direto com o embasamento. Esta seção, aqui denominada Formação Karapotó, é constituída por ortoconglomerados oligomíticos tipicamente compostos por seixos de quartzo branco, com raros fragmentos líticos do embasamento adjacente, e arenitos quartzosos muito grossos a finos, maturos. Formam corpos de geometria tabular a sigmoidal, com estratificações tabular e acanalada, cujas paleocorrentes indicam sentido preferencial N/NE, distinto das unidades sobrejacentes, numa associação de fácies típica de ambiente fluvial entrelaçado/deltaico. Análises bioestratigráficas não tiveram êxito em datar a Formação Karapotó, porém seu posicionamento sotoposto à Formação Batinga (pensilvaniana) lhe confere idade igual ou mais antiga que esta. Estudos efetuados nas bacias de Jatobá e Tucano Norte (gráben de Santa Brígida) sugerem sua similaridade textural, faciológica e estratigráfica com rochas da Formação Tacaratu. Esta última, de idade pré-struniana, vem sendo atribuída na literatura ao Ordovício-Siluriano ou Siluro-Devoniano, com base em similaridades litológicas com o Grupo Serra Grande da Bacia do Parnaíba (Ordoviciano-Eodevoniano) e no seu posicionamento estratigráfico inferior à Formação Inajá (neodevoniana terminal). A análise de poços perfurados na Bacia de Sergipe-Alagoas constatou sua ocorrência em pelo menos 18 deles, distribuídos entre os baixos de São Cristóvão (Sergipe) e Pilar (Alagoas). Alguns poços exibem intercalações de folhelhos marrons ou negros, micáceos, de aspecto terroso ou ceroso, acicular ou blocoso, radiativos. Embora normalmente pouco espessa em superfície, um afloramento exibe uma seção com quase 100m de espessura, alcançando, em subsuperfície, espessuras próximas a 300m (p. ex., 1-FTD-2-AL). Além da Formação Tacaratu, a Formação Karapotó apresenta similaridades litológicas com as formações Mauriti/Cariri, da Bacia do Araripe, e parte superior do Grupo Serra Grande (Formação Jaicós), da Bacia do Parnaíba, com semelhança parcial quanto ao padrão de paleocorrentes.


Autores: Wagner Souza-Lima, Cláudio Borba, Cristiano Camelo Rancan, Lanamara Pinheiro Cangussu, Manoel Nabuco Chaves Costa, Maria Rosilene Ferreira Menezes Santos, Núcio Ribas, Cristina Pierini, Claudio Petrothelle Victor Bezerra

Palavras-chave

estratigrafia, Paleozoico, Bacia de Sergipe-Alagoas

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Exemplo da aplicação da estratigrafia de sequências de alta resolução no estudo de reservatórios deltaicos lacustres da Formação Pojuca, Bacia do Recôncavo (Nordeste do Brasil)

O presente estudo teve por objetivo reinterpretar o arcabouço estratigráfico e geocronológico das zonas operacionais Miranga e Santiago em um campo de petróleo da Bacia do Recôncavo (Bahia), mediante a técnica de estratigrafia de sequências de alta resolução. O intervalo estudado compreende as zonas de produção Miranga e Santiago, pertencentes à Formação Pojuca (Grupo Ilhas), depositado por deltas lacustres durante o Hauteriviano (Andar Aratu) na fase rifte da Bacia do Recôncavo. Esta unidade é composta por arenitos predominantemente finos, intercalados com siltitos, folhelhos e carbonatos. Algumas das seções pelíticas e carbonáticas configuram marcos grafoelétricos rastreáveis em escala de bacia (Silva, 1993). Foram realizadas análises detalhadas de testemunhos e perfis, identificação de fácies e associações de fácies, construção de seções e mapas, e interpretação das sucessões verticais, das superfícies estratigráficas e dos trends deposicionais. Foram identificadas 12 sucessões verticais (SV) de alta frequência, que representam pulsos de sedimentação deltaica que progradam sobre fácies de prodelta e lago profundo. Em seguida, foram interpretadas e nomeadas as seguintes superfícies estratigráficas: superfície de inundação máxima (SIM), superfície transgressiva com eventual ravinamento por ondas (ST), superfície de regressão máxima (SRM) e limite de sequência (LS). Esta identificação permitiu a nomeação dos tratos de sequência: trato de lago transgressivo (TSLT), trato de lago alto (TSLA) e trato de lago baixo (TSLB). Os tratos de sistema definiram 11 sequências de alta frequência e duas de menor frequência. Cada uma das sequências na alta frequência é constituída por um TSLA e sobreposta a um TSLT delgado, separados por uma SIM. A exceção fica com a primeira sequência, no topo, correspondente a dois terços superiores da Zona Miranga, onde ocorre rebaixamento do nível do lago e o registro de um trato de sistema de lago baixo (TSLB) na forma de complexos de canais amalgamados, que erodem o TSLA da sequência anterior. Em termos da menor frequência, foram identificadas a Sequência A, no topo, e a Sequência B. A Sequência A é constituída predominantemente por um TSLT, que encerra os reservatórios da Zona Santiago, cujo topo é marcado pela SIM (definida na posição do Marco 11). Entre a SIM e o LS há um TSLA que contém, além de uma espessa seção pelítica, a base da Zona Miranga. Acima do LS ocorre o TSLB da Sequência B, constituído por canais amalgamados de base erosiva, seguido de um TSLT e finalmente um TSLA. Em suma, o intervalo estudado configura um padrão retrogradacional que respeita o padrão observado por outros autores em um intervalo de maior amplitude, entre os marcos elétricos de 15 a 7 (Formação Pojuca). Este padrão é quebrado somente na base da Sequência A, onde foi interpretada uma erosão relacionada ao rebaixamento do lago. Observou-se também uma disparidade entre as sequências estratigráficas na alta frequência e o zoneamento de produção.


Autores: Michael Strugale

Palavras-chave

Bacia do Recôncavo, Formação Pojuca, estratigrafia de sequências de alta resolução, delta lacustre, reservatório, marcos elétricos

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Formação da sequência triássico-jurássica na Bacia do Paraná

São analisados os registros estratigráficos e estruturais do Triássico e Jurássico na Bacia do Paraná, com base em revisão da literatura, trabalhos de campo, investigação de perfis de poços, lineamentos e seções sísmicas, na busca de sinais de movimentos tectônicos contemporâneos. A sequência cratônica do Triássico-Jurássico (STrJ) se iniciou em bacia interior, contemporaneamente à ruptura do Pangea e se estendeu até a ruptura do Gondwana. Uma nova correlação para a STrJ, considerando o registro de bacias vizinhas, é consolidada e inclui as formações Santa Maria, Piramboia, Botucatu e homólogas. A STrJ sobrepõe-se a uma discordância que envolve diferentes unidades, do embasamento pré-cambriano às rochas do Permiano e do início do Triássico. A unidade mais nova pré-discordância é a Formação Sanga do Cabral, do Induano, uma extensão da sequência do Pennsilvaniano-Permiana; a STrJ foi totalmente coberta pela pilha vulcânica associada à ruptura do Gondwana ocidental no Cretáceo. Em torno do limite permotriássico, movimentos tectônicos resultaram em deformação compressiva que afetou até o Induano. Ocorreu, então, soerguimento generalizado durante o resto do Eotriássico, com forte laterização das rochas. Em meados do Triássico, a tectônica extensional gerou espaço de alojamento para a Formação Santa Maria (230-206 Ma) com registro fossilífero do Triássico Médio. Próximo do limite Triássico-Jurássico, houve soerguimento flexural com pequenas falhas e suave adernamento para a calha central e norte da bacia, preservando um gráben com a parte inicial da STrJ. Fora da bacia houve fortes eventos de vulcanismo continental (195-205 Ma), seguidos por erosão e laterização moderada. O ambiente desértico, caracterizado por depósitos fluviais e eólicos, instalou-se extensivamente, com registros mais jovens indicando maiores aridez climática, inclinação regional e energia de transporte, alcançando seu final no Mesojurássico. Amplos e gigantes campos de dunas e ergs foram progressiva e inteiramente cobertos por lava vulcânica, em breve intervalo de tempo (140 Ma). A tectônica extensional, durante a ruptura e magmatismo continental (140-130 Ma), gerou as estruturas mais evidentes que deformaram a bacia. Embora aparente uniformidade deposicional, a STrJ é complexa e heterogênea, com variações importantes de espessuras e comportamento genético.


Autores: Paulo Cesar Soares, Ana Paula Soares, Daniel Fabian Bettú

Palavras-chave

bacia cratônica, sequência mesozoica, paleotectônica, história geológica do Brasil

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Ocorrência de rochas piroclásticas na Bacia do Rio do Peixe, Província Borborema, NE do Brasil (breves comunicações)

Esta breve comunicação objetiva informar a comunidade geocientífica sobre a identificação de rochas piroclásticas na Bacia do Rio do Peixe (BRP), ocorrida durante trabalhos de campo para localizar afloramentos de rochas sedimentares devonianas datadas por meio de palinologia em três poços perfurados na bacia (Roesner et al., 2011). As rochas piroclásticas aqui descritas foram anteriormente mapeadas como depósitos de brechas sedimentares e de fluxos de massa (Silva, 2009) pertencentes à Formação Rio Piranhas (sensu Sousa et al., 2007). A divulgação desta ocorrência visa promover estudos adicionais que possam agregar novos conhecimentos sobre a evolução tectonovulcanossedimentar da BRP e da Província Borborema.


Autores: José Gedson Fernandes da Silva, Luciano Henrique de Oliveira Caldas, Marcos Antônio Leite do Nascimento, Diógenes Custódio de Oliveira, Isabelle Teixeira da Silva

Palavras-chave

Devoniano, vulcanoclásticas, brecha vulcânica, ignimbrito, fiamme

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Revisão da estratigrafia na seção perfurada pelo poço 2-SM-1-MT (Salto Magessi), Bacia dos Parecis-Alto Xingu, MT (breves comunicações)

A Bacia dos Parecis-Alto Xingu situa-se sobre a porção sudeste do Cráton Amazonas. Possui área de cerca de 350.000km² e ocupa uma larga faixa na porção central do estado de Mato Grosso, estendendo-se até o sudeste do estado de Rondônia. Em termos regionais, de acordo com Siqueira (1989) e Siqueira e Teixeira (1993), o arcabouço dessa bacia, de leste para oeste, compreende três domínios tectonossedimentares: a Sub-Bacia de Rondônia, que inclui os grabens de Pimenta Bueno e Colorado, e as sub-bacias de Juruena e Alto Xingu, separadas respectivamente pelos altos de Vilhena e da Serra Formosa. A configuração em superfície da bacia corresponde à área de exposição de coberturas sedimentares fanerozoicas dominantemente cretáceas, representadas pelo Grupo Parecis (formações Utiariti e Salto das Nuvens) e, subordinadamente, basaltos jurássicos da Formação Tapirapuã, além de coberturas paleozoicas, correlatas à parte da Bacia do Paraná, essas últimas notadamente presentes no domínio da Sub-Bacia Alto Xingu, na qual afloram sequências devonianas (formações Ponta Grossa e Furnas), de acordo com mapas geológicos publicados por Serviços Geológicos do Brasil (CPRM) (fig. 1). Configura-se como uma bacia de área de fronteira exploratória, com geologia complexa, escassos afloramentos e poucos estudos efetuados. A grande incerteza sobre sua estruturação e estratigrafia foi determinante para não incluir uma carta estratigráfica tentativa no Boletim de Geociências da Petrobras, v. 15, n. 2, de 2007. Na década de 1990, a Petrobras perfurou dois poços estratigráficos na Bacia dos Parecis, no estado de Mato Grosso (fig. 1). O poço 2-FI-1-MT (Fazenda Itamarati), após atravessar rochas sedimentares da seção cretácea do Grupo Parecis, constatou embasamento raso de rochas cristalinas mesoproterozoicas do Cráton Amazonas. O poço 2-SM-1-MT (Salto Magessi) revelou espesso pacote de rochas sedimentares e foi concluído na profundidade final medida de 5.777m (figs. 2 e 3). Nessa época, o esforço exploratório utilizando-se de sísmica de reflexão, métodos potenciais e geologia de subsuperfície foi modesto e não permitiu uma adequada correlação litoestratigráfica da seção investigada nos poços com as sequências pré-cambrianas aflorantes nas adjacências.


Autores: Claudemir Severiano de Vasconcelos, Iupanque Vinicius Ferreira Morales, Ivo Trosdtorf Junior, Saulo Ferreira Santos, Milene Freitas Figueiredo

Palavras-chave

Bacia dos Parecis, estratigrafia, poço 2-SM-1-MT, Salto Magessi

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Delta do Rio Paraíba do Sul

Composição colorida em cor real RGB321 de oito cenas da constelação de satélites RapidEye adquiridas de julho a setembro de 2011 e 2014. Resolução espacial de 5m. Dados cedidos à Petrobras pelo Ministério do Meio Ambiente – Governo Federal. A imagem cobre um trecho do litoral norte do estado do Rio de Janeiro e apresenta, como elemento central, a planície deltaica do Rio Paraíba do Sul, que desemboca em Atafona, distrito de São João da Barra. A oeste, observa-se parcialmente a cidade de Campos; a sudoeste, a Lagoa Feia; no extremo norte, em tons verdes, o início da planície aluvial do Rio Itabapoana, que divide os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo; e a leste, o Oceano Atlântico. Na região apresentada afloram sedimentos cenozoicos da Formação Barreiras e sedimentos fluviais e costeiros do complexo deltaico. A planície costeira quaternária da margem leste brasileira é influenciada por ventos, ondas, correntes litorâneas e, em menor grau, marés (regime de micromarés). Nesta porção do Delta do Paraíba do Sul, nota-se o predomínio da ação de ondas e das correntes de deriva litorânea, que redistribuem ao longo da costa a carga de sedimentos trazidos pelo rio até as barras arenosas formadas na sua desembocadura. O lento avanço do rio sobre o mar, progradação deltaica, vai deixando marcas das antigas linhas de costa ao longo da planície deltaica, chamadas de cordões litorâneos, ocasionalmente "aprisionando" corpos d'água que resultam em pequenas lagoas (e.g. Campelo, lagoa alongada ao norte do Rio Paraíba do Sul) e Lagunas (e.g. Salgada, pequena mancha verde alongada no extremo sul dos cordões litorâneos). Entre a cidade de Campos e os primeiros cordões litorâneos da cúspide deltaica, o vale fluvial do Rio Paraíba do Sul exibe canais em padrão entrelaçado com barras longitudinais arenosas ao longo da calha ativa e alguns canais abandonados na sua estreita planície de inundação. A imagem ilustra a contemporaneidade de distintos ambientes, submetidos a diferentes processos deposicionais, que resultam na formação de depósitos sedimentares com específicas características geométricas, litológicas e permoporosas, muito próximos uns dos outros. Tal relação demonstra o quão desafiadora pode ser a tarefa da exploração em reservatórios de igual complexidade. O entendimento das distribuições laterais e verticais dos sedimentos que compõem esse ambiente é de fundamental importância, tanto nas perfurações de poços pioneiros quanto no posicionamento de poços produtores de petróleo e gás em ambientes similares.


Autores: Talita Lammoglia, Saulo Ferreira Santos, Fernando Pellon de Miranda, Pierre Muzzi Magalhães

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